Hedonista, como quase toda a minha geração.
O prazer acima de tudo (sobretudo físico) como receita para a felicidade e a fuga ao sofrimento (deliberada). A moral do hedonismo diz que é o prazer o rei e o sofrimento (imoral) o bastardo. Desta filosofia de vida ancestral podem resultar choques ideológicos e sociais: o facto do meu prazer se sobrepor à dor do outro, do meu conforto ser o incómodo e a instabilidade do outro. Pensava eu que era a minha geração a que mais estava agarrada a este modo de vida, culto intelectual adubado pelas músicas e filmes, pelas imagens fortes que fizeram os anos 80. O surgimento dos Yuppies, dos Junkies e de outros. Mas estava enganado. O Hedonismo, por mais ultrapassado que seja prevalece e domina mesmo nos que se dizem altruístas, conscientes, religiosos, perturbados, adaptados, inadaptados, activistas, relaxados, informados ou ignorantes. Afinal, a minha geração estava (está) certa: O valor das coisas está no prazer que retiramos delas. Isto porque o "Hedonismo Permissivo" das novas gerações se sobrepõe à simples busca do prazer. É amoral e implacável. E agora? Narciso deve ter tido a mesma dúvida. Eu não. Pelo prazer das coisas belas, puras e sinceras. |
