Delírios

Delirios do Gino

Nome: Ele

Terça-feira, Junho 13, 2006

Hedonista, como quase toda a minha geração.

O prazer acima de tudo (sobretudo físico) como receita para a felicidade e a fuga ao sofrimento (deliberada).
A moral do hedonismo diz que é o prazer o rei e o sofrimento (imoral) o bastardo.

Desta filosofia de vida ancestral podem resultar choques ideológicos e sociais: o facto do meu prazer se sobrepor à dor do outro, do meu conforto ser o incómodo e a instabilidade do outro.

Pensava eu que era a minha geração a que mais estava agarrada a este modo de vida, culto intelectual adubado pelas músicas e filmes, pelas imagens fortes que fizeram os anos 80. O surgimento dos Yuppies, dos Junkies e de outros.

Mas estava enganado.

O Hedonismo, por mais ultrapassado que seja prevalece e domina mesmo nos que se dizem altruístas, conscientes, religiosos, perturbados, adaptados, inadaptados, activistas, relaxados, informados ou ignorantes.

Afinal, a minha geração estava (está) certa: O valor das coisas está no prazer que retiramos delas.

Isto porque o "Hedonismo Permissivo" das novas gerações se sobrepõe à simples busca do prazer. É amoral e implacável.

E agora? Narciso deve ter tido a mesma dúvida. Eu não.

Pelo prazer das coisas belas, puras e sinceras.

Molhos e condimentos.

Sou paciente e benevolente embora as narinas me ardam quando a mostarda lá chega. O Ketchup já não é tão efectivo nessa função, mas também lá chega; devagar, mas chega.
E pronto. Decidi deixar-me de molhos, condimentos e aromatizantes.
Vou virar cruel (crudele, em italiano) que é como quem diz que vou passar a comer cru, selvagem e animal que come cru, vivo e fresco, sem manteiga e paté de sardinha como entrada.

Tudo isto porque fiquei mole demais com a quantidade de molhos e caldos que me caíram em cima. Saborosos, é verdade, mas enganadores e sabotadores do palato.

E quem quiser ouvir-me, que me siga: ao primeiro sabor amargo deixem tudo no prato e peçam uma peça de fruta fresca, sem açúcar nem chantily. É que, por mais que tentem, o sabor amargo, o primeiro, vai lá ficar na memória gustativa e nunca mais sair. E vai repetir-se, sem dúvida! E depois vão dizer: "Mas que parvo! Já sabia que isto me ia cair mal!", frase feita e verdadeira que fez do Guronsan (Glucoronamida + Ácido ascórbico + Cafeína) um dos produtos mais vendidos dos laboratórios JABA. (Patrocínio à vista? :P )