Teletransporte à parte.
O cheiro a óleo dos carris chega para nos levar longe, devagar mas longe. As falhas sincopadas que aumentam com a velocidade do comboio fazem o ritmo do coração. Deixamos a paisagem conhecida mil vezes para trás e uma nova vai rolando pela janela, no sentido oposto ao destino. Parece que tudo isto se resume a esse destino implacável. A viagem, a paisagem, o que fica para trás e o que está para chegar. Desembarque. E porque não podemos desembarcar antes de lá chegarmos, ao destino, sonhamos com ele e queremos que seja agora; já! Parámos pelo meio, entram uns, saem outros, mas até ao nosso destino, comprado à tarifa escolhida, ocupamos o lugar numerado que nos foi atribuído pela senhora simpática de que não nos lembramos e que não se lembra de nós. |

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