Delírios

Delirios do Gino

Nome: Ele

Sábado, Maio 27, 2006

Olissipo

Diz a lenda que Olissipo (o nome porque Lisboa era conhecida pelos Celtiberos) advém de Ulisses (em latim) ou Odisseu (em grego). Diz a lenda que quer dizer Cidade de Ulisses. Não sei se é um facto histórico, mas o que sei é que me senti como se estivesse no mediterrâneo.
É impossível passear por Lisboa sem sorrir. Quer pelo brilho que nos faz semicerrar os olhos e arquear os lábios em jeito de expressão de prazer injectado devagarinho, quer pela beleza daquela decadência charmosa, de luz aberta e quase ilhéu, quer pelas mil mulheres de ombros descobertos com que nos cruzamos na rua… eu sei lá!
Nestas duas metades de dia que lá passei morri de saudades de lá estar de novo.
Entre umas imperiais e um prato de caracóis, uns amendoins e tremoços (que são cortesia e nunca se pagam) e mais umas imperiais, entre esplanadas urbaníssimas com eléctricos a passarem a meio metro da mesa, entre discussões conjugais em voz alta no café da esquina, entre o júbilo de ver o Rui Costa de novo no Benfica, entre isso tudo o meu coração parou de saudades. Saudade é palavra de Lisboa e para Lisboa. A lenda diz Olissipo, eu digo Saudade. Lisboa é fado e melancolia porque se sabe que um dia já lá não estaremos de certeza.
Mal tive tempo para abraçar os pouco amigos que encontrei (abraço apertado ao Darta – o eterno sorriso – à doce Ana Luísa – nesta sua nova fase empreendedora/indigente a tentar imitar-me :P – que me abrigou gentilmente nesta minha visita de médico, beijinho à Raquel – as roupas largas também te ficam a matar! – ao Rai atarefado mas sempre disponível e carinhoso, ao Ricardo que continua a ser a pseudo-pessoa simples, e ao Alberto que me serviu umas pataniscas com arroz de feijão deliciosas ao jantar – ai que saudades de quando vivia na Madragoa.
Ainda por cima em vésperas de Santo António (a cidade já se começa a engalanar e já há cartazes a pedir apoio à marcha do bairro) a vontade de ficar é enorme! Mas lá tive que apanhar o comboio para o Porto, com vontade de sair em cada estação em que parava para ver se o mundo lá fora é como a minha Lisboa imaginada e fantasiada, para ver se cada cidade, vila ou aldeia pelo caminho me dizem que afinal há mais sítios para amar, gente para ver e lendas para confirmar.
E pronto. A noite foi divertida no Incógnito: cheia, e animada; e quero lá voltar!